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Tales of Cross
Economia e números
Grátis, inteiro 5 min

A economia em números

A Ordem extrai três vezes mais minério do que consegue purificar. É a estatística que explica a guerra inteira.

A economia de Cross reduz-se, no fim, a uma frase: há minério a mais e crentes a menos.


O gargalo — a estatística central do universo

A Ordem extrai cerca de três vezes mais minério do que consegue purificar.

Isto é o fato material mais importante da economia de Cross e o mais próximo do fio temático.

Extração é trabalho. Contrata-se, escava-se, condena-se gente às minas e sai minério. Purificação é — mineração leiga produz minério morto, e clérigo cínico produz pedra morta. A capacidade de escavar cresceu com a industrialização; a capacidade de consagrar não cresceu com coisa nenhuma, porque depende de um recurso que não se fabrica.

Consequência acumulada: desde cerca de 1878, os depósitos de minério morto crescem em todos os Estados mineiros da Ordem. Pilhas de Ferro-do-Coro, Crisma e Hashmalita brutos, tecnicamente perfeitos, materialmente inertes, à espera de alguém que consiga acordá-los. Ninguém publica o número. Todos os Cardeais-Estado o conhecem.

Isto liga diretamente a Belkar, 1884: a última ofensiva do continente morreu porque não faltou pólvora, faltou clérigo com fé suficiente para consagrá-la no ritmo exigido. Belkar não foi um acidente. Foi uma linha de balanço a transformar-se em dezenove mil mortos.


Produção mineral anual — 1890, todo o continente

Quantidades purificadas, não extraídas.

Mineral Purificado/ano Origem dominante Uso
MineralFerro-do-Coro Purificado/ano~180.000 t Origem dominanteFerrum Alpina · Kal'arn · Brytonia UsoLâmina, blindagem, estrutura
MineralSal de Selo Purificado/ano~90.000 t Origem dominanteSal Pradelica UsoBarreira, exorcismo de campo
MineralArdentina Purificado/ano~62.000 t Origem dominanteStromakra (vulcânica) · Sathkar (líquida, inimiga) UsoExplosivo, artilharia
MineralCinza-Santa Purificado/ano~30.000 t Origem dominanteVallia Sacra, produção difusa UsoCobertura defensiva
MineralCrisma-Argênteo Purificado/ano~4.200 t Origem dominanteMaritima Coronata · Selo IV · Brytonia UsoMunição — ~900 milhões de tiros/ano
MineralLúmen Purificado/ano~900 t Origem dominanteSchola Coronata · Selo II UsoIluminação repelente
MineralHashmalita Purificado/ano~240 t Origem dominanteKal'arn 30% · Ferrum Alpina 55% · outros 15% UsoEletricidade, tanques

O que a tabela mostra

A Hashmalita é escassíssima — duzentas e quarenta toneladas para um continente inteiro, por ano. É por isso que os tanques Pantheon-Solar existem em número pequeno e que a eletricidade santificada ilumina catedrais e não bairros. É também por isso que Königsmark, com 30% da produção mundial em Kal'arn, sobrevive ao cisma: Roma não pode dar-se ao luxo de o punir. Ver Königsburg.

O Crisma-Argênteo é o mineral que decide guerras. Quatro mil e duzentas toneladas por ano, transformadas em novecentos milhões de tiros consagrados, contra oito milhões de homens sob armas. Dá cerca de 112 tiros consagrados por soldado por ano — o que, para uma guerra permanente, é escassez apertada. Um soldado da Ordem dispara munição consagrada com parcimónia contabilística e completa o resto com chumbo comum, que não mata nada de importante.


A aritmética da bala consagrada

Purificadores licenciados em atividade ~11.000
Ritmo de um purificador competente ~2 kg de Crisma por dia útil
Dias úteis de purificação por ano ~250
Capacidade teórica ~5.500 t/ano
Produção real ~4.200 t/ano
Diferença Morte, viagem, doença, dúvida

Cada bala consagrada existe porque alguém com fé real passou cerca de vinte segundos com ela na mão.

E os 1.300 t/ano de diferença entre o teórico e o real são, literalmente, a fé que faltou — purificadores mortos antes do prazo, purificadores em trânsito, purificadores que num certo dia não conseguiram.


Orçamento e produto

Indicador Valor
IndicadorFatia do produto continental gasta em guerra Valor~27%
IndicadorFatia do orçamento da Ordem Clerical gasta em guerra Valor~62%
IndicadorReferência real, Estados do séc. XIX em paz Valor2-4%
IndicadorReferência real, mobilização total de guerra Valor~50%

27% do produto continental, todos os anos, há trinta anos. Nenhuma economia real sustentou isso por mais de quatro ou cinco anos sem colapsar. Cross sustenta porque não tem alternativa, e o preço é exatamente o que a Era da Estagnação descreve: nenhuma rua nova, nenhuma catedral nova, nenhuma invenção nova, nenhuma criança a mais.

Quem paga: a Ordem financia-se por dízimo, por monopólio de purificação e pela venda de mineral consagrado às coroas. As coroas pagam em obediência política e em ouro. O ciclo é fechado e ninguém consegue sair dele.


Ouro e crédito

Padrão-ouro em todo o continente.

Indicador Valor
IndicadorOuro continental detido pela Ordem Clerical Valor~65%
IndicadorOuro continental em custódia nos Cofres kantonais Valor~40%
IndicadorPraça financeira nº 1 ValorVelinia
IndicadorPraça financeira nº 2 ValorBrithon

A distinção entre deter e guardar é a chave política inteira: a Ordem tem o ouro, os cantões têm-no fisicamente, e ninguém pode mexer sem o outro. É a razão pela qual a Confederação nunca foi invadida e nunca precisou de exército. Ver Bernkanton.

Crédito litúrgico — invenção veliniana: adiantamento sobre mineral ainda não purificado, garantido pela diocese que o purificará. Instrumento financeiro que precifica fé futura, e o mais cínico que este universo produziu.


Comércio inter-blocos

Rota Volume / natureza
RotaFrete inter-bloco de mineral em navios de Velinia Volume / natureza~70%
RotaGrão de Vykhradia → continente inteiro Volume / naturezaAlimenta todos os exércitos, inclusive por contrabando o inimigo
RotaManufatura de Brytonia → continente Volume / naturezaLocomotiva, máquina, têxtil. Comprada a xingar
RotaArdentina de Stromakra → todos Volume / naturezaMonopólio de facto do explosivo
RotaContrabando Meridia ↔ Heptarquia Volume / natureza~5% do comércio externo meridiano. Exposto em 1873, nunca punido

A dependência cruzada é total e deliberada como desenho de universo: Brytonia tem indústria e não tem mineral; a Ordem tem mineral e compra máquina; Vykhradia tem comida e não tem indústria; Velinia tem navios e não tem nada mais; Kantonal tem o ouro de todos e nada seu. Ninguém pode sair, ninguém pode vencer, e é por isso que a guerra entre humanos não acontece.


Salários e preços relativos

Índice, base 1 = jornal de um camponês de Vallia Sacra.

Índice
Mineiro-condenado Índice0 — trabalho penal
Camponês (Vallia Sacra, Vykhradia) Índice1
Soldado de linha da Ordem Índice1,8
Operário industrial de Manchaster Índice2,4
Cônego de paróquia Índice3
Mercenário cantonal em serviço externo Índice6
Purificador licenciado Índice14
Oficial de cavalaria magnata Índice22
Branca Médium Índicesustentada integralmente pela diocese; não recebe salário porque não se espera que gaste

Âncoras concretas de preço, para uso direto em cena:

  • Um quilo de Hashmalita purificada custa mais do que uma casa em Vykhrad.
  • Um cartucho de Crisma consagrado vale o pão de um dia de um camponês. Um soldado que perde um pente de munição perdeu o sustento de uma semana de uma família, e sabe.
  • Um relógio litúrgico de Bernkanton custa dois anos de jornal de operário.
  • Uma passagem de terceira classe em trem santificado, atravessando um Estado, custa três dias de jornal.

A linha da Branca Médium é a mais dura da tabela. Ela não tem salário porque tem quatro a seis anos de vida, e todos os envolvidos fizeram essa conta.


Links

A leitura seguinte

População, mortes, ouro, minério e o gargalo de purificação que explica a guerra inteira.

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