Um arquivo eclesiástico sobre uma guerra que não termina
O Inferno subiu em 1780. Cento e dez anos depois, já ninguém planeia vencer.
A montanha rachou sobre Ivandir e seiscentas mil pessoas morreram numa noite. Os sete Selos romperam um por ano, de leste para oeste, e quem teve aviso é quem manda hoje.
Uma Igreja que literalmente salva o mundo todos os dias — e que decide sozinha quem é salvo primeiro.
5 peças · 88 verbetes · sem conta, sem interrupção
O demónio cai porque o tiro foi consagrado por alguém que ainda acreditava na hora em que mediu o pó.
A regra que governa este mundo inteiro
O ponto de divergência
Três noites decidiram tudo
Não é um mundo de fantasia com uma igreja dentro. É a nossa Europa do século XIX, com uma variável a mais — e todas as consequências dessa variável levadas até ao fim.
1780
A montanha racha
O Selo VII rompe debaixo de Ivandir, a maior cidade que já existiu. O Inferno não desce: sobe. Em trinta e cinco anos o continente perde quarenta milhões de pessoas.
1786
O Céu responde
Vinte e três bispos chamam os sete Arcanjos. A aparição é uma onda destrutiva em raio: mata tudo o que respira. Quarenta e dois mil seiscentos e oitenta e três mortos, trezentos e dezassete sobreviventes — todos, segundo o arquivo, em oração genuína no mesmo segundo.
1890
Nada se mexe
O mapa de 1859 é o mapa de hoje. Trinta e um anos sem um metro de mudança, e duzentos e sessenta mil mortos por ano sem uma única ofensiva. A guerra não vai acabar. Nem cedo, nem tarde.
1890
I
Era da Cinza
1780 — 1815
220 → 180 milhões
A montanha racha sobre Ivandir e o Inferno sobe. Os sete Selos rompem um por ano, de leste para oeste — e quem teve aviso é quem manda hoje.
600 mil mortos numa noite. O continente perde 40 milhões em trinta e cinco anos.
1780
Cataclismo de IvandirO Selo VII rompe debaixo da maior cidade do mundo.
Todo o poder deste universo tem preço verificável, e nenhum atalho fica por pagar. Estas quatro regras nunca se quebram — e é delas que sai a política, a economia e a guerra inteira.
01
A fé é mecânica, não metáfora
Munição consagrada por um clérigo cínico é chumbo morto. O exorcismo falha quando o exorcista duvida. E um herege com fé real funciona — Deus não checa credenciais.
02
Os demónios não se reproduzem
Caíram uma vez, em número fixo, e esse número só desce. Por isso não podem gastar tropa, por isso precisam de corpos humanos, e por isso corrompem em vez de exterminar. A estratégia é aritmética, não teologia.
03
Expulsar não é matar
Matar o portador devolve o demónio intacto. Morte verdadeira exige mineral consagrado por alguém de fé genuína. Em cento e dez anos de guerra houve pouco mais de nove mil.
04
O gargalo é a fé, não o minério
A Ordem extrai três vezes mais mineral do que consegue purificar, porque extração é trabalho e purificação é fé. Falta de munição é sempre falta de purificador. Nunca de pólvora, nunca de dinheiro.
Quem manda
Oito poderes, nenhuma saída
Ninguém pode vencer e ninguém pode sair: a dependência cruzada é total e foi construída de propósito. Por isso não há guerra entre humanos, e por isso toda a política é chantagem educada.
…e ele pensou que talvez Tomáz já estivesse morto, ou se não morto, perdido, e se não perdido, mudado, mudado em uma daquelas mudanças que o leste promove em homens jovens, mudanças que não se desfazem mesmo quando o homem volta e nunca mais será o que partiu; e se isto era assim, então a quem ele escrevia agora, exatamente, sob esta vela de Lúmen que não tremulava porque o Lúmen não tremulava, jamais tremulava, e nesse não-tremular continha toda a sua glória e todo o seu defeito?
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Perguntas
O que costumam perguntar
Preciso de ler por alguma ordem?
Não. Tales of Cross é uma anthology: cada peça tem elenco próprio e fecha sozinha. As coisas acontecem estejam os personagens lá ou não — e ainda assim os nomes voltam.
É fantasia ou é histórico?
É um mundo paralelo com a geografia, a tecnologia e a sociedade da Europa de 1780 a 1890 — trem, telégrafo, eletricidade, imprensa — e uma única variável sobrenatural, levada a sério até às últimas consequências económicas e políticas.
Quão pesado é?
Grimdark adulto, com câmara fechada: a violência é curta e seca, o sexo é insinuado e nunca explícito, e criança em sofrimento é zona vetada por regra autoral. Nada é encenado para chocar.
A enciclopédia entrega spoiler dos contos?
Não. A regra é dura: o verbete conta o que o mundo sabe, o conto conta o que aconteceu. Quando as duas coisas divergem — e divergem muitas vezes — o verbete fica com a versão oficial, e recolhe o resto num bloco que só se abre a pedido.
Posso escrever ou desenhar neste universo?
Sim, e é para isso que existe uma Community License. Se a receita vem de falar sobre o universo, é livre; se vem de vender uma cópia dele, falamos.
Em que línguas está?
Português, inglês e espanhol, e nenhuma página mistura duas. O que se lê numa bandeira está inteiro nessa língua: nada de um parágrafo traduzido seguido do original, nada de aviso a meio do texto. Os textos nascem em português e a tradução sai sempre daí, nunca de outra tradução.
Quando o mundo despenca, quem ainda acredita o suficiente para o segurar?
É a pergunta que cada peça investiga, e nenhuma responde da mesma maneira. Comece pela que é grátis e inteira.