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Tales of Cross
Sociedade e cultura
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Línguas, dialetos e argot

Latim Eclesial, dialetos de fronteira e argots de ofício — a razão pela qual dois cavaleiros de Selos opostos se entendem.

Como o universo opera em 3 famílias linguísticas dominantes (latim, germânico, eslavo) + derivações regionais + linguagens institucionais técnicas (cant clerical, código militar, linguagem demoníaca), este documento cataloga textura linguística que personagens podem usar em diálogo.

"Um padre fala três línguas: o latim para Deus, o vulgar para o homem, e o silêncio para o demônio." — Provérbio aurelino.


I. Hierarquia das línguas oficiais

Latim — três variantes canônicas

Latim Eclesial Alto (Latina Coronata)

  • Língua litúrgica oficial da Ordem Clerical.
  • Usada em missa, sacramento, documento pontifício, decreto canônico, exorcismo.
  • Não-falada como língua de rua; apenas em contexto sagrado ou erudito.
  • Pronúncia: arcaica preservada — palatalizações suaves, V como W, AE como AI.
  • Característica: vocabulário sacro denso, sintaxe complexa, ritmo melódico.
  • Exemplo de frase canônica: "In nomine Hashmalis et Coronati, sit benedictum hoc opus." ("Em nome do Hashmal e do Coroado, seja bendita esta obra.")

Latim Aurelino (Latina Aurelina)

  • Língua vulgar do continente Cross — fala cotidiana da Ordem Clerical (7 Estados) + classe culta de Velinia.
  • Falada em: Aurum Roma, Ferrumkar, Pradel, Castrum Limentis, Coronata, Vallium, Schola Maior, Velinia (alta classe).
  • Variantes regionais: Aurelino do Norte (mais influência germânica), Aurelino Pradiano (mais influência eslava), Aurelino Marítimo (mais influência veneziana).
  • Sotaque: fortemente musical. Vogais longas em final de frase.

Latim Meridional (Lingua Meridiana)

  • Língua arcaica do Reino do Sul (Meridia). Sub-tradição latina mais antiga que o Eclesial Alto — preservada por isolamento meridional.
  • Falada em: Stromakra, Cassina, Aurifluum, Vela Tarda.
  • Característica: R guturalizado, vogais finais cortadas, ritmo sincopado.
  • Riti Meridionali são celebrados nesta língua, não em Latim Eclesial Alto — fonte de cisma leve.
  • Exemplo: "Mar' do Sulle bujju oggi, frate." ("O mar do sul ruge hoje, irmão.")

Latim Marítimo / Velinian (Velinian)

  • Falado em: Velinia (toda classe), Porto Coro, Sereniva, Carcabella.
  • Característica: L finais viram U (castelocasteu); palavras curtas, ritmo rápido.
  • Especialidade: gíria mercantil e portuária com termos de marinha.
  • Exemplo: "Ze ora de partir, sior. Vento bon." ("É hora de partir, senhor. Vento bom.")

Germânico — três variantes canônicas

Nordsprek (Língua do Norte)

  • Língua oficial de Königsmark.
  • Falada em: Königsburg, Norderfeld, Eisturm, Reichshamn.
  • Característica: consoantes guturais profundas (R guturalizado, CH áspero), palavras compostas longas (substantivo + substantivo + substantivo).
  • Liturgia da Igreja Real do Norte é em Nordsprek + Latim Eclesial misto.
  • Exemplo: "Mein Bruder, das Schwert des Mikahels ist gesegnet." ("Meu irmão, a espada de Mikahel está abençoada.")

Kantonsdeutsch (Alemão dos Cantões)

  • Dialeto germânico-alpino da Confederação Kantonal.
  • Falado em: Bernkanton, Genfkanton, Zürikanton.
  • Característica: CH como kh áspero, K final aspirado, diminutivos em -li.
  • Exemplo: "Grüezi, Herrli! Wo gönd Sie?" ("Saudações, senhorzinho! Aonde vai?")

Brytonsh (Insular Alto)

  • Língua oficial de Brytonia.
  • Falada em: Brithon, Manchaster, Edinhrad, Liverhal.
  • Característica: vogais arredondadas, TH lingual, palavras curtas.
  • Exemplo: "By the Solar Cross, mate, where's the master gone?" ("Pela Cruz Solar, parceiro, aonde foi o mestre?")

Eslavo — uma variante canônica + corruptela

Vychodski (Língua do Leste)

  • Língua oficial de Vykhradia.
  • Falada em: Vykhrad, Bielgrod, Cherniwicz, Solnica.
  • Característica: CZ, SZ, RZ ásperos; vogais nasalizadas; ritmo cantante.
  • Exemplo: "Druzye, idemo na bój! Za Vykhrad i za sviata Cross!" ("Companheiros, vamos à batalha! Por Vykhrad e pela santa Cross!")

Pacto-Kvar (corruptela pactuária)

  • Não-língua propriamente — mistura eslavo + latim arcaico + sufixos semita + sons demoníacos. Falada nas 7 cidades da Heptarquia Pactuária + algumas comunidades pactuárias infiltradas no continente.
  • Característica: palavras quebradas (consoantes-vogais-consoantes em padrões irregulares), assobio gutural entre palavras, vocabulário cifrado que muda de cidade para cidade.
  • Pode ser identificada por ouvido treinado de Inquisidor — som "errado", harmonia inversa ao Latim Eclesial.
  • Falar Pacto-Kvar em zona da Ordem = execução sumária por Inquisição se ouvida.

II. Cants e argots profissionais

Cant Clerical (Argo Coronata)

  • Argot interno dos Litúrgicos, Cônegos, Mitrados. Termos técnico-litúrgicos que leigos não conseguem entender mesmo se ouvirem.
  • Vocabulário: ~800 termos técnicos canônicos.
  • Exemplos:
    • "Coronar a cinza" = realizar exorcismo de campo emergencial.
    • "Vela na vigília" = clérigo iluminado pleno, em sobrevida limitada.
    • "Brancura tomada" = Branca Médium em transe contínuo.
    • "Tinta fresca" = revelação Hashmal recente, ainda não-canonizada.
    • "Sal a três" = sinal de que o pactuário está em Etapa 3 da possessão.
    • "Oitavo coro" = referência ao Arcanjo correspondente (cada cardeal é "responsável" por um Arcanjo na Vigília das Sete Velas).

Cant Militar (Lingua Castrensis)

  • Argot dos soldados, oficiais, comissários. Mistura de Latim Eclesial alto (oficial) + gíria de tropa (popular).
  • Cada Casa dos Cavaleiros do Selo tem subdialeto militar próprio: Os argots dos Cavaleiros são de Ofício, não de Casa — a Casa diz onde se serve, o Ofício diz o que se faz (Povo — Ordem Clerical). Por isso dois cavaleiros de Selos opostos entendem-se tecnicamente e dois da mesma Casa não.
    • Ofício do Coro (combate ofensivo): linguagem direta, comandos curtos.
    • Ofício da Vigília (patrulha): linguagem com silêncio carregado, comunicação por gesto em campo.
    • Ofício da Linha (engenharia): linguagem técnica densa.
    • Ofício da Cinza (cavalaria pesada): linguagem ritualizada, juramentos formais.
    • Ofício do Sino (artilharia): linguagem cifrada matemática (códigos balísticos).
  • Exemplos:
    • "Pisar três" = perder três soldados (codificado).
    • "Cantar a vela" = chamar Capelão da Companhia.
    • "Trinca de aço" = trio de armas (rifle + faca + revólver).
    • "O Um sabe" = expressão de resignação cínica (= "Deus sabe", popularizada).
    • "Vidro caído" = soldado morto por Hashmalita tóxica em campo.

Argot Mercantil de Velinia (Argo Velinian)

  • Linguagem dos negociantes, capitães, banqueiros.
  • Vocabulário monetário + portuário + bancário denso.
  • Exemplos:
    • "Quebra de cera" = falência (cera era selo de contrato).
    • "Cantonata" = empréstimo com risco alto (referência a Cantões).
    • "Sangue na vela" = guerra que afeta rota comercial.
    • "Onda quebrada" = navio perdido + carga.
    • "Doge silente" = autoridade política indisponível para diplomacia.

Cant Operário Industrial (Argo Vitrio)

  • Linguagem dos operários das fábricas — especialmente os Vidros Quebrados (mineiros de Hashmalita).
  • Influenciado por gírias brytônicas + Latim Aurelino + Vychodski (imigrantes urbanos).
  • Forte com vocabulário de heresia industrial:
    • "Pulmão preto" = mineiro morto por Hashmalita tóxica.
    • "Vela amarga" = bebida operária (vinho diluído com Lúmen-falsificado).
    • "Sino do alarme" = revolta iminente; sinal de greve.
    • "Mestre coroado" = padre paroquial paternalista (insulto).
    • "Pão do Coro" = pão de fábrica racionado (insulto + ironia).

Cant Pactuário (Argo Inversa)

  • Linguagem dos pactuários ocultos infiltrados em sociedade cristã.
  • Mistura de Latim Eclesial invertido (algumas palavras em ordem trocada) + sinais visuais + gestos de mão.
  • Difícil de detectar; Inquisição usa provas específicas para identificá-la.
  • Exemplos:
    • "Coroar três" = saudação codificada entre pactuários ("Coroado três vezes").
    • "Sino quebrado" = local seguro (igreja onde sino não toca direito = sob influência demoníaca).
    • "Caminho do pacto" = trilha codificada para entrar em zona pactuária.
    • "Filho da Hora" = pactuário nascido após 1780, herdeiro de pacto familiar.

Cant Acadêmico (Argo Scholae)

  • Linguagem dos professores e alunos de Schola Coronata + universidades menores.
  • Mistura de Latim Eclesial técnico + gíria estudantil.
  • Vocabulário denso em demonologia, teologia, balística, química litúrgica.

III. Códigos canônicos especiais

Código dos Sete (Codex Septem)

  • Sistema de cifra eclesiástica para comunicação confidencial entre Cardeais e o Pontífice.
  • Baseado em substituição de letras por palavras litúrgicas específicas + transposição numérica baseada nos 7 Arcanjos.
  • Exemplo: a letra "A" pode ser representada por "Mikahel" (Arcanjo 1), "M" por "Selaphiel" (Arcanjo 5), etc.
  • Inquisição usa variante mais simples (Codex Septem Menor) para comunicação operacional.

Código das Estrelas (Codex Stellarum)

  • Sistema de comunicação astronômico-visual entre fortalezas. Cada estrela visível no céu noturno mapeia a uma palavra-código. Vigias militares lêem o céu durante comunicação noturna.
  • Usado em frente Limes Orientalis e Vigília das Cordilheiras.
  • Atravessa séculos — sistema funciona mesmo se uma fortaleza cai (a outra fortaleza ainda pode "ler o céu").

Cifra Demoníaca (escrita pactuária)

  • Sistema de glifos visuais usado em contratos pactuários, sigilos dos 72 Reis Infernais, sinais de identificação entre pactuários.
  • Cada sigilo é um conjunto de linhas geométricas codificado.
  • Ler sigilo sem autorização litúrgica = risco de possessão passiva (sigilo do Rei Infernal tenta "alcançar" o leitor).
  • Inquisição mantém biblioteca-cofre com sigilos catalogados (Catálogo Severus, edição 1859) — acessível apenas a Cardeal-Inquisidor + alguns Cavaleiros-Inquisidores de elite.

IV. Linguagem demoníaca propriamente

Hor'kava — língua falada por demônios maiores

  • Língua antiga, anterior ao Latim. Falada pelos altos caídos durante a Teomaquia (ver A Teomaquia) — segundo registros heréticos.
  • Som: gutural profundo, com vogais que vibram em harmônicos múltiplos simultâneos (impossível de reproduzir por aparelho fonatório humano sem treino pactuário).
  • Vocabulário inestimável: as palavras dela podem mudar a realidade local se faladas corretamente. Pacto pleno requer falar algumas palavras-chave em Hor'kava.
  • Ouvir Hor'kava em estado consciente sem proteção litúrgica = risco de influência passiva (sussurros nos sonhos depois).

Sin'Marka — língua das Quatro Mães

  • Variante de Hor'kava própria das Mães. Mais antiga ainda — Lilith afirma que é a língua original que Deus usou ao criar antes mesmo do Latim Eclesial. A Cúria nega categoricamente.
  • Som: cantante feminino multi-vocal, simultâneo, com sussurro abaixo da voz audível.
  • Usada em rituais de invocação de Mães (Lilith, Naamah, Agrat, Eisheth) por bruxas-Lilim.

Enokhita — língua dos Vigias caídos

  • Falada por Shemyas, Azzal, Kohabel, Penmuel, etc., quando comunicam com humanos (preferem-na ao Hor'kava por ser menos perigosa).
  • Possui alfabeto próprio de 22 letras + 5 sigilos angélicos. Codex em ruínas pré-Cataclismo.
  • Hermetistas tentam reconstruí-la. Aurora do Hashmal afirma dominar parcialmente.

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O que se come, como se fala, o que se teme à noite e que dia do ano é hoje.

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