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Tales of Cross
Povos e corpos
Grátis, inteiro 8 min

Povo — Ordem Clerical

Cento e vinte milhões em nove climas, e três corpos diferentes debaixo do mesmo uniforme branco-osso.

120 milhões em 1890. O pólo de que os outros oito blocos medem distância. Sete Estados internos, nove climas, e nenhum tipo físico único — o que, num continente onde todo o resto tem cara, é a característica.


1. O corpo

Média masculina 167 cm. Amplitude de dez centímetros, e a amplitude é toda a história.

Não há corpo clerical. Há três, e todos os três se chamam a si próprios romanos.

O corpo do vale — Vallia Sacra, Aurum Romana, Maritima Coronata

Camponês e pequeno proprietário. 168-170 cm. Azeite, pão, queijo, vinho diluído, carne aos domingos e nas festas — dieta pobre em proteína mas constante, e é a constância que constrói osso. Pele que escurece na colheita e clareia no inverno. Mãos largas, de cabo de enxada e de poda.

O que o denuncia: o pescoço. Décadas de sol de verão sobre a nuca curvada deixam a pele quadriculada, e um camponês de Vallia Sacra de sessenta anos tem a nuca de um mapa.

O corpo da cidade — Aurum Roma, Schola Coronata

Burguesia, funcionalismo, clero, comércio. 170-172 cm nos que têm sobrenome, 165-167 nos que não têm.

Aurum Roma tem 800 mil pessoas e água de cidade: tifo em julho, escarlatina nas crianças, e a diferença entre um filho de cônego e um filho de estivador do Aurum não está na altura de adulto — está em quantos irmãos sobreviveram. Metade dos operários de Aurum Roma enterrou dois.

O corpo urbano é mais pálido, mais estreito de ombro e envelhece mais devagar no rosto e mais depressa no pulmão.

O corpo da vila mineira — Ferrum Alpina, Sal Pradelica

162 cm. O mais baixo do bloco e um dos mais baixos do continente ocidental.

Turno de doze horas, entrada na galeria aos onze, casa de companhia, refeição contada. Estes homens são pequenos porque foram postos a trabalhar antes de crescerem — e a galeria, que emprega quem cabe nela, seleciona os pequenos outra vez em cada geração.

Marcas próprias e canônicas:

  • Olho de arco. Anos de exposição direta a Hashmalita viva — que é relâmpago preso em pedra — deixam um halo opaco na periferia da córnea. O centro da visão fica; a periferia turva. Um mineiro de vinte anos de galeria vira a cabeça inteira para olhar de lado, e vê-se isso do outro lado de uma sala.
  • Tosse de pedra. Pó de galeria. Mata aos quarenta e cinco.
  • A espiral. Queimadura fina, em espiral, nos dedos que tocaram mineral vivo sem luva. Não dói. Não sai.

As marcas do serviço — os corpos consagrados

Quem O que se vê
QuemPurificador (11.000 no mundo) O que se vêtremor fino permanente nas mãos, que ele esconde segurando alguma coisa. Rosto de dez anos a mais que a idade
QuemClérigo iluminado (<400) O que se vêinsónia crónica, dor à luz, sobrevida de 3 a 7 anos. Emagrece de modo que ninguém consegue travar
QuemBranca Médium (3.000) O que se vêpupila que não responde à luz · véu por dor · inscrição involuntária nas mãos · pés de pedra fria · nenhuma marca de metal em parte nenhuma do corpo
QuemCavaleiro do Selo O que se vêombro direito mais alto — o da armadura. Surdez de um lado. Sem nome de família
QuemHospitalário O que se vêas mãos mais limpas do continente, e rachadas até ao sangue por causa disso

Como se reconhece uma Branca desligada numa rua: pelos pés e pelo pescoço. Anda como quem espera pedra fria debaixo do pé, e não tem marca nenhuma de corrente, medalha ou fivela — o único pescoço nu de todo o continente cristão.


2. Traje civil

Clero — a hierarquia lida à distância

Grau Traje
GrauLitúrgico de paróquia Trajebatina preta, colarinho branco, cinto de pano. Sem ornamento
GrauCônego Trajebatina vermelha, faixa preta
GrauCardeal-Estado Trajemanto vermelho-sangue, forro de ouro, anel visível
GrauO Um Trajebranco inteiro. A única pessoa do continente que não usa vermelho

[!tip] A inversão do topo Toda a Ordem sobe do preto ao vermelho ao ouro — e no cume o vermelho desaparece e fica branco.

A explicação de púlpito é pureza. A leitura da Reformada é outra: o Um veste a cor das Brancas, e é o único homem do continente autorizado a fazê-lo. Dois cardeais escreveram sobre isso; ambos os textos estão em arquivo fechado.

Leigos

  • Burguesia urbana — vitoriano italianizado. Terno de três peças, casaca, cartola de altura média, sapato preto polido. Mulheres: vestido até ao tornozelo, corset moderado, chapéu com véu. Nunca cor forte: em Aurum Roma vestir vermelho sendo leigo é insolência, e sabe-se.
  • Operário — camisa branca, colete, calça escura, boné. Domingo: o mesmo, limpo.
  • Camponês de Vallia Sacra — linho e lã crua, chapéu de palha no verão, tamanco. Faixa de tecido na cintura, cor por aldeia.
  • Mineiro — fora da galeria, indistinguível do operário. Dentro: couro, lâmpada, e nada de metal solto — regra de segurança que virou superstição.
  • Diáspora veherênica — vestem como os vizinhos, e essa é a questão. O único marcador que resta é a fita de três nós na roupa de luto. Quem sabe, sabe; quem não sabe, vê uma fita.

3. Uniforme militar

A silhueta a cem metros

Branco-osso, gola alta, bota preta até ao joelho, capacete escuro fechado com duas lentes vermelhas redondas. É a silhueta mais reconhecível do continente e não se parece com nenhuma outra: é o único exército do mundo que combate de branco.

Escalão Uniforme
EscalãoPraça Uniformebranco-osso (inverno) ou cinza-aço (campo). Capacete escuro fechado, lentes vermelhas, Cruz-Coro na testa. Casaco de gola alta abotoado ao lado, até meia-coxa. Cinto largo de couro preto, fivela em Ferro-do-Coro. Placa oval no peito: número, Casa, patente
EscalãoOficial Uniformebranco-osso com vermelho-sangue. Gola dupla bordada a ouro — volume de bordado = patente. Capa vermelha forrada a ouro. Espada de Ferro-do-Coro com punho de Hashmalita, recebida na ordenação
EscalãoComissário Uniformepreto até ao tornozelo, chapéu de bico largo, capa forrada de vermelho, pistola sempre visível, chicote no cinto. Pode executar em campo sem julgamento
EscalãoCavaleiro do Selo Uniformearmadura de Ferro-do-Coro sobre o uniforme, manto vermelho, Cruz-Coro com o numeral da Casa no ombro esquerdo — ver tabela abaixo
EscalãoBrancas Espadas Uniformebranco inteiro, véu preto sobre o capacete. Pelotões de seis
EscalãoMarinha Uniformeazul-marinho em vez de branco. Insígnia de Maritima Coronata

As sete Casas — numeral, Selo e forro

Numeral Casa Selo Forro Efetivo
NumeralI CasaSolar — "a que segura a espinha" SeloCordilheira Solar Forrogranito Efetivo21.000
NumeralII CasaCrepúsculo — "a que trabalha de noite" SeloCordilheira do Crepúsculo Forrocinza-úmido Efetivo24.000
NumeralIII CasaLava — "a Guarda da Lava" SeloCordilheira do Sul Forrocinábrio Efetivo12.000
NumeralIV CasaCova — "a que espera dez anos" SeloMar Aberto Forroazul-profundo Efetivo6.000
NumeralV CasaFrio SeloMaciço Setentrional Forrobranco-azulado Efetivo1.400 — ficção política
NumeralVI CasaInsular SeloArquipélago Forroverde-musgo Efetivo600 — ficção política
NumeralVII CasaLimes — "a que conta os dias" SeloLeste Profundo Forropreto, sem forro Efetivo45.000

[!important] O que a numeração faz sem que ninguém a tenha desenhado assim A Casa I é a sênior e a Casa VII é a que combate. Prestígio e guerra estão em pontas opostas da lista, e as duas sabem-no.

E as duas Casas fantasma — Frio e Insular — não estão no fim da numeração: estão no meio. Dissolver a Casa V ou a VI abriria um buraco entre a Cova e o Limes que toda a gente veria em cada ombro de cada cavaleiro do continente.

Não se pode apagar um lugar vazio que está no meio da fila. É a mesma mecânica das duas velas em depósito de Aurum Roma e das duas faixas mortas na bandeira de Vykhradia — e nenhuma das três foi desenhada com as outras em mente.

O forro do Limes é preto e sem forro — a única Casa cuja cor é a ausência de uma. Quarenta e cinco mil homens na única frente que não para, e o manto por dentro não tem nada.

O que a estética faz e o que custa

Branco em campo é suicídio tático fora da neve, e a Ordem sabe. Manteve-se porque o uniforme não é camuflagem: é declaração. Um regimento branco na crista de uma colina está a dizer ao Limbo que veio e que não se esconde.

O uniforme de campo cinza-aço tem data e causa: 1848, o Massacre da Linha de Ferro. Três trens de tropa ficam presos entre dois cortes de trilho, no escuro, e o que os denuncia a noite inteira é o branco. A ordem de campo sai quatro meses depois. Todo o Estado-Maior a prefere desde então. O branco continua a ser o de parada, o de fotografia e o das ordens religiosas — e é por isso que o continente inteiro imagina o exército da Ordem de branco quando na frente, em 1890, quase todo ele está de cinza.

A imagem que o mundo tem da Ordem é a de há quarenta anos. Isso, também, é a Estagnação.


4. Bandeira e heráldica

Cruz-Coro em ouro sobre campo vermelho-sangue, círculo de sete pontos, sem numeral. Proporção 2:3. Nunca franjada, nunca com borla — a Ordem acha isso vykhradiano.

  • Estandarte de Casa: mesma bandeira com o numeral no centro da cruz. Sete Casas, sete numerais, e duas delas — VI (Frio) e VII (Insular) — desfilam com estandarte e sem exército, porque as Casas são ficções políticas. (Ver §7 — pendência de numeração.)
  • Estandarte pontifício: branco com Cruz-Coro em ouro. Sai três vezes por ano.
  • Galhardete de fronteira: vermelho liso, sem cruz. Hasteado quando um posto do Limes é dado como perdido e ainda não foi retomado. Em 1890 há onze hasteados.

5. Arquitetura, em uma imagem

Barroco litúrgico sobre osso industrial. Cúpula e frontão em pedra clara, e por trás ferro fundido, tijolo e vidro sem pedir licença. A Catedral do Coro — cúpula gigantesca, sete pináculos, uma lanterna de Lúmen acesa em cada um todas as noites desde 1888 — e a Estação Central são o mesmo edifício com dois programas: as duas são catedrais, e as duas foram feitas para que a pessoa que entra se sinta pequena.

Materiais: travertino, ouro batido, veludo vermelho, vidro de Lúmen, ferro escuro. Cinza-Santa na argamassa de igreja, fortaleza e cemitério — o chão de que um pacto não gosta.


6. Assinatura sensorial

Cheiro incenso, cera, ozônio, pão a sair do forno, pedra molhada
Som sino de aldeia às horas · latim murmurado por muita gente ao mesmo tempo · prensa tipográfica · comboio ao longe
Tato mármore frio, veludo grosso, papel de dobra dura
Temperatura fria. Nave de igreja é sempre mais fria que a rua, e é de propósito
Peso a porta é pesada de mais para o que guarda
Paladar pão, azeite, vinho aguado, cera na hóstia

A leitura seguinte

O corpo lê classe e história, nunca sangue. Traje, uniforme, heráldica e assinatura sensorial de cada bloco.

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