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Tales of Cross
O continente
Grátis, inteiro 9 min

Como se lê o continente

Uma pera oblonga de 2.500 km, três traços que organizam tudo, e o desenho a mudar em cada era.


I. Como se lê Cross

Um continente único, em forma de pera oblonga, mais largo a norte, estreitado ao meio por um mar interior, afilando a sul numa península vulcânica. Dois mil e quinhentos quilómetros do extremo norte ao extremo sul; mil e quinhentos de leste a oeste na parte continental. A oeste, separado por cento e cinquenta quilómetros de água, um arquipélago.

Três traços o organizam, e quem os tiver na cabeça sabe o continente inteiro:

1. A espinha — o eixo de cordilheiras

Corre norte-sul, de ponta a ponta. Do Maciço de Kal'arn, no gelo do extremo norte, desce pela Cordilheira Solar, atravessa o coração alpino e termina na Cordilheira do Sul, sob o vulcão.

Nela estão gravados os Sete Selos. A montanha não é cenário: é a prisão. Por isso as cordilheiras de Cross são fronteiras militares, e por isso mineração é ato de guerra.

2. O corte — o Mar do Coro

Corre leste-oeste, no meio do continente. Quatrocentos quilómetros no ponto mais estreito, novecentos no mais largo. Divide o mundo em metade norte e metade sul e é a estrada de todo o comércio.

A sua porção sudeste é o Mar Tenebrum, contaminado desde 1780. A mesma água, com trinta anos de diferença entre uma margem e a outra.

Pedra num sentido, água no outro. É daqui que sai o nome do continente — e as três explicações incompatíveis do porquê estão em Por que se chama Cross.

3. A linha — o Limbus Mundi

Corre norte-sul, no extremo leste. Não é geologia: é o rastro da onda dos Arcanjos, congelado onde foi parada em 1786.

Tudo a oeste dela é o mundo. Tudo a leste é o que não foi salvo.


II. Onde fica quem — o percurso do norte para o sul

Descendo a espinha, de gelo a lava:

Onde Quem O que é
OndeExtremo norte, acima de 62° QuemTerra Sem-Sino O que étundra sem ninguém
OndeNorte profundo, fiordes e taiga QuemKÖNIGSMARK — cap. Königsburg O que éReino. Maciço de Kal'arn = Selo V
OndeCoração alpino, 800-1.800 m QuemCONFEDERAÇÃO KANTONAL — Bernkanton O que éRepública. 17 cantões. Todos os passos
OndeCentro-norte, pré-alpino QuemFerrum Alpina · Schola Coronata O que éOrdem — a forja e a universidade
OndeCentro, planície e colina QuemAURUM ROMA · Vallia Sacra O que éOrdem — a sede do mundo
OndeCentro-mar, ilhas na laguna QuemVELINIA SERENÍSSIMA O que éRepública. No meio do Mar do Coro
OndeCentro-sul, costa QuemMaritima Coronata — cap. Coronata O que éOrdem — a frota e o Crisma
OndeSul, península vulcânica QuemMERIDIA — cap. Stromakra O que éReino. Volkar = Selo III

III. O percurso de oeste para leste

Atravessando o continente na largura, do oceano ao Inferno:

Onde Quem O que é
OndeArquipélago ocidental QuemBRYTONIA — cap. Brithon O que éReino. Highlands de Caer'n = Selo VI
OndeCanal Insular, 150 km Quem O que éa água que nenhum exército atravessou
OndeCosta oeste continental Quemmargens da Ordem O que érocha e névoa
OndeCentro Quema Ordem Clerical O que ésete Estados
OndeLeste-central, planalto QuemVYKHRADIA — cap. Vykhrad O que éReino. Cordilheira do Crepúsculo = Selo II
OndeLeste, cordilheira e vale QuemSal Pradelica · Limes Orientalis O que éOrdem — a frente
OndeA LINHA QuemLimbus Mundi O que éo rastro da onda
OndeLeste profundo, estepe QuemHEPTARQUIA PACTUÁRIA — Karzhar O que ésete cidades, sete Príncipes. Cordilheira do Iracundo = Selo VII
OndeFim do mapa QuemPandæmonium O que ésem coordenada, e assim fica

IV. Os sete Selos, situados

Selo Onde De quem é o território
SeloI — Cordilheira Solar Ondecentro-norte De quem é o territórioOrdem (fronteira com Kantonal)
SeloII — Cordilheira do Crepúsculo Ondeleste-central De quem é o territórioVykhradia
SeloIII — Cordilheira do Sul Ondesul De quem é o territórioMeridia — o Volkar
SeloIV — Mar Aberto Ondesob o Mar do Coro De quem é o territóriosubmarino. Ninguém
SeloV — Maciço Setentrional Ondenorte profundo De quem é o territórioKönigsmark — cismático
SeloVI — Arquipélago Insular OndeHighlands de Caer'n De quem é o territórioBrytonia — cismática
SeloVII — Leste Profundo Ondeleste profundo De quem é o territórioperdido. Heptarquia

Quatro dos sete estão em território clerical ou aliado. Dois estão em território cismático — e é por isso que as Casas do Frio e Insular são ficções políticas. Um está perdido, e é o epicentro.


V. O mapa, era a era

1780, véspera — o mundo que havia

O mapa que ninguém desenhou porque ninguém achou que precisasse.

  • O leste é o centro do mundo. Vehrannon — o continente inteiro chama-se assim — tem no seu extremo oriental o reino de Veheran, a principal potência do mundo, e a sua capital Ivandir, com seiscentos mil habitantes: a maior cidade que já existiu.
  • Vladigrad, Aurinopolis e Magnaport são cidades prósperas do leste, não ruínas.
  • Não há Limbus Mundi. Não há fronteira leste, porque a leste há mais mundo.
  • Aurum Roma é uma capital religiosa importante e não é o centro de nada.
  • 220 milhões de pessoas. O leste tem 48 milhões, quase um quarto.

1780-1786 — a cascata

Os Selos rompem um por ano, de leste para oeste, e o mapa desfaz-se na mesma direção.

VII (1780) sob Ivandir → II (1781)V (1782)III (1783)I (1784)IV (1785)VI (1786).

  • Leste: zero aviso. Ivandir morre numa noite. Vladigrad, Aurinopolis e Magnaport caem em três semanas — não por Selos próprios, mas pela expansão do surto do VII.
  • Centro: quatro anos de aviso. A Ordem evacua os vales alpinos antes da fenda abrir. O coração da Ordem nunca é ocupado.
  • Oeste: seis anos de aviso e menos de doze meses de exposição. Brytonia nunca sofre invasão terrestre.

A geopolítica de 1890 inteira está nestes seis anos. Quem teve aviso é quem manda hoje.

1786 — a Intervenção. Os Arcanjos descem, a onda mata tudo no raio, e onde a onda para fica a linha. Vladigrad, Aurinopolis e Magnaport ficam do lado errado, com quem lá estava.

1815, fim da Era da Cinza — o mapa novo

O primeiro mapa que teve de ser desenhado de raiz.

Mudou Como
MudouO nome Comoo continente passa a chamar-se Cross. Vehrannon deixa de estar disponível
MudouO centro Comodesloca-se do leste para Aurum Roma
MudouO leste ComoVeheran extingue-se por etapas: Vehr Maior em 1798, Sul-Vehr em 1813, e a coroa entregue em 1815
MudouA fronteira Comonasce o Limbus Mundi, e com ele a doutrina de que há território além da linha por onde não se combate
MudouOs sete Estados ComoAurelianus I define a Ordem como a conhecemos
MudouO céu Comoa Cinza Alta arrefece o continente inteiro. -1,5 a -2 °C de verão. Crepúsculos vermelhos durante uma década
MudouA população Como220 → 180 milhões. O leste cai de 48 para 17

Onde antes havia reino, há agora Heptarquia. Sete cidades pactuárias sobre ruínas veherênicas.

1837, fim das Cruzadas Negras — o mapa fortificado

O desenho é o mesmo. O que muda é o que se construiu por cima dele.

  • Igrejas-fortaleza erguem-se em todas as frentes de cordilheira. A linha deixa de ser uma ideia e passa a ser alvenaria.
  • A Confederação Kantonal formaliza-se — Pacto Federal de 1817, dezassete cantões.
  • A primeira ferrovia do continente é insular, não continental: o Ramal de Caer'n, 1825.
  • Königsmark afasta-se sem romper: o Concílio de Kronmünster de 1836 abandona a obediência por desuso.
  • O clima normaliza. Vinte e dois anos de safras cheias, e é isso que torna a refundação possível.
  • 180 → 210 milhões.

1860, fim da Era da Forja — o mapa em movimento

A única era em que a linha se mexe.

  • Cherniwicz, 1859: o primeiro exército plenamente industrial chega por trilho em nove dias e empurra a linha duzentos quilómetros a leste. Único ganho territorial permanente de todo o canon.
  • O trilho santificado cobre o continente — mas não Vykhradia, que recusa a passagem por escrito no mesmo ano.
  • Os Cabos da Cúria ligam Roma a cada frente em horas. O mapa passa a ser lido em tempo real de um só sítio.
  • A fuligem entra no mapa. Manchaster, Brithon, Ferrumkar e Ferrum Alpina ganham um céu próprio.
  • 210 → 250 milhões.

1880, fim da Era do Império — o mapa completo

O mundo atinge a maior extensão que alguma vez terá.

  • O Mar Tenebrum inverte-se: 63% pactuário em 1860, 82% clerical em 1878, depois da Frota dos Sete Faróis e das Velas Vermelhas.
  • Missões armadas nas margens e arquipélagos — colónias-cliente de Brytonia a oeste, ilhas vulcânicas a sul, estepe a leste. 48.000 mortos cristãos entre 1862 e 1880, e um número não contado do outro lado.
  • Brytonia formaliza o Cisma em 1864 e Roma não responde, porque depende do transporte insular.
  • 250 → 296 milhões, e é o pico.

1890, a Estagnação — o mapa que não se mexe

O mapa de 1859 é o mapa de 1890. Trinta e um anos sem um metro de alteração em nenhuma direção. É o facto isolado que melhor descreve a era — mais do que qualquer batalha, mais do que qualquer conclave.

E, contra isso, duas alterações minúsculas e terríveis:

  • 1887, o Recuo de Pradel: a linha recua vinte e dois quilómetros e nove aldeias são evacuadas — não por combate, mas porque a diocese já não consegue guarnecer o setor com purificadores. A primeira perda de território por atrito de fé.
  • 1878, a última rua nova de Aurum Roma. A capital do mundo tem, em 1890, a planta de 1878.

As cidades param todas ao mesmo tempo: Aurum Roma em 800 mil, Manchaster em 180 mil, Karzhar em 200 mil. 296 → 300 milhões, e para.


VI. O que nunca muda em cento e dez anos

  1. A espinha e o corte. Cordilheiras norte-sul, Mar do Coro leste-oeste. A cruz de pedra e água está lá desde antes de haver quem a visse.
  2. Os sete Selos. Nenhum foi fechado. Nenhum será.
  3. O coração da Ordem nunca é ocupado — teve quatro anos de aviso e usou-os.
  4. Brytonia nunca sofre invasão terrestre. Cento e cinquenta quilómetros de água.
  5. A Confederação nunca é invadida. Os passos custam mais do que valem.
  6. O leste é o único bloco com menos gente em 1890 do que em 1780. 48 → 40 milhões, com fundo de 17.
  7. Pandæmonium não tem coordenada. Três expedições, três mapas incompatíveis, e um cartógrafo da Cúria encarregado desde 1857 de os conciliar.

VII. As sete frases que descrevem o mapa a quem nunca o viu

  1. Uma pera oblonga com uma cruz desenhada por cima: montanha de norte a sul, mar de leste a oeste.
  2. As montanhas são prisões, e por isso as fronteiras deste mundo são geológicas.
  3. O Inferno sobe, não desce — logo a mineração é ato de guerra e o subsolo é frente.
  4. A leste há uma linha que não é geologia: é onde uma salvação parou.
  5. O centro do mundo mudou de sítio em 1815, e o nome do continente mudou com ele.
  6. Em 1859 a linha andou duzentos quilómetros, e nunca mais andou.
  7. Tudo a oeste da linha é o mundo. Tudo a leste é o que não foi salvo.

A leitura seguinte

A terra, o clima e o que cada palmo de solo obriga quem vive nele a fazer.

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