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Tales of Cross
O Inferno e a Heptarquia
Grátis, inteiro 10 min

Os sete Príncipes do Vício

Um por Selo, sem sobreposição. Nome, domínio, cidade patrona — e por que nunca estiveram os sete no mesmo campo.

Nomes com etimologia transparente: reconhecimento para o leitor cristão, fantasia para o leitor laico.


Mapa canônico

# Vício Príncipe Selo vinculado Cidade patrona Mineral Negro afim
#1 VícioSoberba PríncipeLuzhar Selo vinculadoI — Cordilheira Solar Cidade patronaKarzhar Mineral Negro afimÁurica Negra
#2 VícioLuxúria PríncipeAsmoteth Selo vinculadoII — Cordilheira do Crepúsculo Cidade patronaAsmotheri Mineral Negro afimCarmim Negro
#3 VícioGula PríncipeBelzebar Selo vinculadoIII — Cordilheira do Sul Cidade patronaBelkar Mineral Negro afimManá Negro
#4 VícioInveja PríncipeLeviath Selo vinculadoIV — Mar Aberto Cidade patronaLeviakol Mineral Negro afimSal Pestilento
#5 VícioPreguiça PríncipeBelifor Selo vinculadoV — Maciço Setentrional Cidade patronaBelikatra Mineral Negro afimGelo Negro
#6 VícioAvareza PríncipeMammen Selo vinculadoVI — Arquipélago Insular Cidade patronaMammon-Ur Mineral Negro afimDensa Áurica
#7 VícioIra PríncipeSathnar Selo vinculadoVII — Leste Profundo Cidade patronaSathkar Mineral Negro afimFerro Pestilento

Um Príncipe por Selo. Sem sobreposição. Ver Os sete Selos para a geografia de cada um.


1. Luzhar — o Soberbo

  • Vício: Soberba (superbia). Raiz: Lúcifer, o portador da luz caída. Etimologia: Lúcifer + zhar, raiz adaptada para "brilho seco, fogo orgulhoso".
  • Função: Imperador do Inferno de jure. Politicamente diminuído desde a Teomaquia — manda menos do que o título diz, e sabe.
  • Domínio: orgulho, ambição desmedida, recusa de subordinação, monumento em honra própria, idolatria pessoal.
  • Cidade patrona: Karzhar, capital política da Heptarquia. Branca, de mármore recuperado das ruínas veherênicas, sem muralha — Luzhar proibiu muralha em sinal de Soberba. O trono dele existe e está vazio. Ver Karzhar.
  • Selo: I — Cordilheira Solar. Reclama o Monte Coro, o pico mais alto do continente, como trono terrestre. Sobrevoa a cordilheira periodicamente em alta altitude; os monges contemplativos avistam-no antes de desaparecer. Não combate em campo.
  • Aparição: figura humanoide alta, rosto demasiado belo, asas queimadas penduradas atrás, coroa sem peso flutuando acima da cabeça. Quando fala, espelhos quebram num raio de trinta passos.
  • Símbolo: estrela de seis pontas invertida com olho central. Ouro velho sobre preto.
  • Falha: incapaz de receber subordinação genuína. Não confia em ninguém abaixo de si. Basta plantar o boato de que um vassalo foi favorecido demais e Luzhar pune o vassalo — criando a vingança que o vai custar.

2. Asmoteth — o Voluptuoso

  • Vício: Luxúria (luxuria). Raiz: Asmodeu. Etimologia: Asmodeus + -teth, sufixo semita de envolvimento.
  • Função: Príncipe das cortes da carne. Patrono dos íncubos e súcubos e das paixões que devoram a vontade. O folclore Spina opera sob ele.
  • Domínio: sedução, perda de controle, paixão que cega, traição amorosa, casamento corrompido, obsessão.
  • Cidade patrona: Asmotheri, capital cultural da Heptarquia. Salões de pacto, casas de bordel-templo. População majoritariamente feminina — mas o culto real da cidade é o das Quatro Mães, que não lhe devem obediência. Atrito permanente.
  • Selo: II — Cordilheira do Crepúsculo. Não combate em campo aberto: infiltra. O vampirismo funcional da região, os estrigoi, os drudes e os lobisomens são manifestação dos seus súditos. É por isso que o Selo II é tratado por quarentena e não por conquista.
  • Aparição: figura tripla — três rostos sobre um corpo, cada um falando uma língua diferente ao mesmo tempo. Belos, os três. Cheiro doce-podre.
  • Símbolo: rosa com espinho central. Vermelho-vinho sobre preto.
  • Falha: não suporta recusa repetida. Um herói que resista duas vezes com clareza absoluta deixa Asmoteth enraivecido ao ponto de se tornar previsível. Resistir, no entanto, não é fácil — ele ataca pelo físico, pelo emocional e pelo simbólico ao mesmo tempo.

3. Belzebar — o Devorador

  • Vício: Gula (gula). Raiz: Belzebu, Senhor das Moscas. Etimologia: Beelzebub + intensificador -ar.
  • Função: Príncipe da gula. Patrono dos enxames, das pragas, da fome convertida em frenesi, e dos ghul.
  • Domínio: glutonaria, fome insaciável, parasitismo, consumo destrutivo, a festa que termina em massacre.
  • Cidade patrona: Belkar, mercado-banquete sem fim. Lavoura de cereais escuros consumidos apenas internamente. Foi o alvo da última ofensiva da Ordem — o Inverno de Belkar, 1884, que morreu na estepe antes de chegar. Ver As quinze batalhas.
  • Selo: III — Cordilheira do Sul. Único Selo cujos demônios saíram encarnados em lava vivente, quando o Volkar rachou em 1783. Cria festas-armadilha: zonas que aparentam aldeia próspera e devoram o viajante.
  • Aparição: figura humana de beleza perfeita e apetite visível, cercada de mosca. Quando se aproxima, o enxame faz a forma de um segundo rosto atrás do primeiro. A voz é zumbido organizado. Cheiro de açúcar putrefato.
  • Símbolo: mosca tripla em círculo. Verde-amarelado sobre preto.
  • Falha: devora indiscriminadamente, incluindo aliados. Quando passa fome — o que só acontece junto a território consagrado — torna-se frenético e estúpido. Tropa que se isole em zona consagrada por dias força Belzebar a errar.

4. Leviath — o Invejoso

  • Vício: Inveja (invidia). Raiz: Leviatã, serpente do mar primordial. Etimologia: raiz hebraica "enroscado".
  • Função: Príncipe da inveja cósmica. Os teólogos chamam-lhe o mais miserável dos sete, porque a inveja é o único vício que não dá prazer ao vicioso — só dor própria somada a dor alheia.
  • Domínio: ressentimento, calúnia, sabotagem, desejo de que o outro perca, prazer no sofrimento alheio sem ganho próprio.
  • Cidade patrona: Leviakol, porto no Mar Tenebrum. Habitantes falam em sibilo. Foi ali que a frota pactuária ardeu dentro da própria enseada na Noite das Velas Vermelhas, 1879 — e não se reconstruiu em onze anos.
  • Selo: IV — Mar Aberto, o único submarino. Move-se em águas profundas e sobe periodicamente, causando as tempestades canônicas. A cada dez anos emerge por inteiro — a Vigília da Cova — e a frota combinada sai para o conter. Custa muito. Nunca o matam.
  • Aparição: serpente marinha massiva; ou, quando escolhe forma humana, homem belíssimo de olhos grandes demais e boca pequena demais, gestos lentos, voz monótona. Cheiro de maré baixa.
  • Símbolo: serpente que se morde em ângulo errado. Verde-podre sobre preto.
  • Falha: não consegue ver a própria vitória. Mesmo quando vence, sente que perdeu, porque outros ganharam coisas que ele não viu. Pode ser enganado a sabotar-se: convença-o de que outro Príncipe lucrou mais e ele atacará o aliado em vez do inimigo.

5. Belifor — o Adormecido

  • Vício: Preguiça (acedia). Raiz: Belfegor, demônio das invenções que dispensam trabalho. Etimologia: Belphegor + -or.
  • Função: Príncipe do torpor. Patrono dos demônios de gelo, das paralisias e das melancolias sem cura. Também das invenções tentadoras — máquinas que substituem o esforço santo e enfraquecem a alma de quem as usa.
  • Domínio: torpor, acedia medieval, desesperança, dormência espiritual, o "tanto faz", paralisia diante da escolha moral, tédio que mata.
  • Cidade patrona: Belikatra, cidade do ócio e do tédio organizado, semi-soterrada sob neve permanente. Culto à Preguiça em forma de paralisia ritual. Mortalidade alta por adormecimento espontâneo.
  • Selo: V — Maciço Setentrional. Antecipou o inverno em três meses ao romper, em 1782 — o Inverno Antecipado, que matou cerca de 1,9 milhão de fome. Deixa vilas inteiras adormecidas: populações deitadas em casa, mortas pelo torpor, sem ferimento nenhum.
  • Aparição: figura reclinada, belíssima e lentíssima, de pálpebras pesadas. Voz baixa e arrastada. Cheiro de poeira e cera apagada.
  • Símbolo: flor de gelo — hexagrama cristalino com pétalas para dentro. Cinza-azul sobre preto.
  • Falha: é o mais fácil de ignorar e o mais difícil de remover. Raramente ataca; corrói por presença. Dispersa-se com atividade intensa — festa pública, marcha forçada, oração contínua coletiva. Mas quando a comunidade se cansa, volta mais forte.

6. Mammen — o Avarento

  • Vício: Avareza (avaritia). Raiz: Mammon. Etimologia: Mammon + -en, raiz de amontoamento.
  • Função: Príncipe das economias infernais. Patrono do mercado de almas, dos contratos de pacto e dos juros sobre dívida demoníaca. O mais rico e o mais maquinador dos sete.
  • Domínio: posse, sonegação, usura, acumulação sem uso, traição por dinheiro, escravização por dívida.
  • Cidade patrona: Mammon-Ur, capital econômica da Heptarquia. Cofres-fortaleza, bancos pactuários, leilão semanal de Mineral Negro e de almas. Negoceia clandestinamente com agentes velinenses e brytônicos no Mar Tenebrum.
  • Selo: VI — Arquipélago Insular, o último a romper, em 1786, meses antes de os Arcanjos descerem. Mammen mal teve tempo de sair — e adaptou-se ao único terreno que restava: o contrato. Não é violento; é insidioso. Os súditos infiltram bolsa, banco e escritório de advocacia. É por isso que a frente de Brytonia quase não tem combate e a Inquisição Insular trabalha em pregão.
  • Aparição: figura magra e elegante, vestida em mil camadas de tecido caro, bolsos transbordando moedas que tilintam ao chão e desaparecem antes de tocar. Mãos sempre fechadas. Olhos amarelos.
  • Símbolo: moeda mordida — círculo metálico com marca de dentes. Ouro corrompido sobre preto.
  • Súditos característicos: Cobradores Pálidos, entidades que reclamam dívidas pactuárias. Em Brithon, um Cobrador não persegue: protocola.
  • Falha: só dá quando recebe mais. Pode ser forçado a entregar se convencido de que ganhará em troca. Pactos com Mammen sempre escalam, e um herói esperto pode encurralá-lo numa escada de pacto até o quebrar. Errar um degrau uma vez custa a alma.

7. Sathnar — o Iracundo

  • Vício: Ira (ira). Raiz: Sathanas. Etimologia: Sathanas + intensificador -ar.
  • Função: Príncipe da ira. Patrono dos demônios da forja, da guerra direta e do ódio antigo. Co-aliado tenso com os Vigias caídos — em especial Azzal, que ensinou aos homens a forja. Disputam o patronato dos pactuários militares.
  • Domínio: vingança, ódio puro, guerra sem fim, prazer no sangue, fúria justificada que devora a justiça.
  • Cidade patrona: Sathkar, cidade-forja no front leste contra Vykhradia. Forjas perpetuamente acesas, fumaça vermelha visível à noite a quilômetros. É também onde os nove Vigias caídos habitam fisicamente, em torres separadas. Não saem. Mas estão lá.
  • Selo: VII — Leste Profundo, o epicentro. Rompeu sob Ivandir em 17-18 de outubro de 1780 e abriu a guerra. Único Selo de onde os Vigias saíram vivos e articulados, capazes de ensinar aos sobreviventes veherênicos a purificar Mineral Negro e a pactuar formalmente. Ver O Cataclismo de Ivandir.
  • Aparição: homem de beleza dura, vermelho-cinábrio, chifres curvos, espada de Mineral Negro sempre na mão. Voz em rugido estruturado. Cheiro de ferro queimado.
  • Símbolo: chama tripla com lâmina central. Vermelho-sangue sobre preto.
  • Falha: incapaz de esperar. Ataca antes de pensar. Uma frase insultuosa entregue por mensageiro basta para o fazer marchar sozinho com a vanguarda para dentro de uma posição preparada. Pode ser morto por paciência.

Notas estruturais

A Heptarquia como espelho invertido

As sete cidades formam a Heptarquia Pactuária — confederação com a mesma aritmética dos sete Estados da Ordem Clerical. Espelhamento estrutural deliberado: sete contra sete, Karzhar contra Aurum Roma, Coroados da Carne contra Cardeais Coroados, missa negra diária contra missa diária.

A diferença que importa: a Ordem tem um Um reconhecido pelo Céu, e a Heptarquia tem um trono vazio.

Fragmentação política

Os sete não obedecem a Luzhar na prática, e três facções não obedecem a ninguém: os Vigias caídos (Sathkar), as Quatro Mães (a Domus Filiarum, mais antigas que a hierarquia inteira) e vários dos 72 Reis, autônomos desde o Cataclismo.

O Inferno está tão fragmentado quanto a Cúria, e pelas mesmas razões.

Sigilos e Cânones do Combate

A Cúria guarda os Sete Cânones do Combate — uma fórmula litúrgica anti-Príncipe por vício — no Cofre do Coro, em Aurum Roma. Acesso completo apenas para Cardeais e alguns generais dos Cavaleiros do Selo. Mostrar a fórmula errada ao Príncipe errado mata o clérigo.

O Inferno também travou

Ver Eras do Cataclismo. Na Estagnação, os Príncipes não progridem, os Reis não revelam novidade e os Vigias sussurram cada vez menos. O tributo anual de almas pactuadas estabilizou-se em cerca de vinte e quatro mil e está em queda há dez anos.

"Vocês dizem que o Céu está cansado de nós. Nós dizemos que o Inferno está cansado de nós. A frase é geometricamente simétrica. Talvez seja a mesma coisa." — depoimento pactuário sob exorcismo, 1890

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Sete Príncipes, sete cortes e quarenta milhões de pessoas que pagam imposto do outro lado da linha.

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